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"Eu me importo, e você?" é o slogan da campanha de
prevenção a Aids, iniciada neste sábado (01/12/2001)
em todo o mundo. A campanha tem como enfoque principal
a responsabilidade do homem no controle da doença,
tendo em vista que, culturalmente, a mulher tem menos
poder de decisão sobre o uso de preservativos do que o
parceiro do sexo masculino (informação do Programa
Conjunto das Nações Unidas para o HIV/Aids).
Dados coletados pela ONU (Organização das Nações
Unidas) em 2001 apontam que a Aids se tornou a quarta
maior causa de morte em todo o mundo, com cerca de 40
milhões de pessoas infectadas pelo vírus HIV. Desse
total, 70% (28,1 milhões) estão em países africanos.
A expansão da doença na região é atribuída à pobreza e
à falta de informação da maioria da população
africana, mas a situação é tão grave que mesmo as
elites da região engordam os números oficiais.
Atualmente, seis dos 22 ministros do Zimbábue estão
contaminados pelo vírus. Com 4,7 milhões de pessoas
infectadas, a África do Sul mantém-se como líder
mundial em ocorrências da doença.
Para a ONU, 3,4 milhões de pessoas na África
subsaariana (geograficamente, países que se localizam
ao sul do deserto do Saara) infectaram-se com o vírus
em 2001, do total estimado de 5 milhões de novas
infecções no mundo todo. Deste número, mais da metade
era mulheres.
Apesar disso, o maior crescimento da taxa de infecção,
segundo relatório anual da organização, foi registrado
nos países do antigo bloco soviético. Estima-se que 1
milhão de pessoas na ex-União Soviética e nas antigas
nações comunistas do Leste Europeu têm HIV, o vírus
causador da Aids.
Enquanto isso, no Brasil ...
Com cerca de 1,8 milhão de portadores do vírus HIV, a
América Latina e o Caribe aparecem em segundo lugar no
ranking da doença, logo depois da África. O Brasil tem
597 mil pessoas infectadas.
Dados do Ministério da Saúde apontam que 210.447
pessoas notificaram a doença no Brasil entre 1998 e
março de 2001, num crescimento médio de 20 mil novos
casos por ano.
A partir de 1980, a transmissão heterossexual passou a
representar a maioria (26,6%) dos casos notificados no
Brasil. A transmissão homossexual representa 17,2%, a
bissexual 9,8%, e o uso de drogas injetáveis é
responsável por 18,5% dos casos registrados de 1980 a
2001.
Entre menores de 12 anos, a transmissão do vírus da
mãe para o filho tem sido responsável por 90% dos
casos notificados. Segundo o Ministério da Saúde,
cerca de 50% das pessoas com Aids já morreram no
Brasil.
Apesar desse quadro alarmante, e do aumento diário do
número de casos, as mortes têm diminuído. As
medicações surgidas nos últimos anos têm registrado
resultados bastante positivos.
O Brasil foi o primeiro país do 3º mundo a adotar a
política de distribuição gratuita de medicação
antiretroviral. Quanto mais cedo se iniciar o
tratamento, menor o risco de se desenvolver
complicações e de evolução para a Aids. O país também
já pesquisa uma vacina contra a doença e conseguiu
obter este ano a quebra de patentes de remédios
durante conferência da OMC com 142 países.
Com isso, o Brasil ganha o direito de produzir
remédios contra a Aids, o que pode representar mais
economia para o governo e uma maior distribuição de
medicamentos gratuitos.