Bafon

Evento privilegia público gay

Já conhecida do público homossexual pela realização do Miss Brasil Gay 
e Rainbow Fest, agora a cidade mineira de Juiz de Fora entra no roteiro 
de feiras voltadas para o mercado GLS. Entre os dias 4 e 8 de dezembro, 
será realizada, na cidade, a I Exposição GLS. A intenção é levar ao 
Exposhop, área destinada a grandes feiras localizada próximo ao terminal 
rodoviário, cerca de 50 mil pessoas. Segundo o organizador da feira, 
Alberto Gomes de Oliveira, a boa receptividade do juiz-forano aos 
homossexuais foi o fator que mais pesou na escolha da cidade para ser sede da 
exposição. 

A feira não será exclusiva para o público homossexual. "Os 
heterossexuais também serão bem-vindos", diz ele. Ele vai disponibilizar estandes 
para colocação de produtos variados, como roupas e acessórios, e 
serviços como agências de viagem, sexshop, livros, discos e filmes. Na 
recepção aos visitantes estará o transexual Rogéria. Para o presidente do 
Movimento Gay de Minas, Osvaldo Braga, com essa abertura para o turismo gay 
abrem-se as portas para a derrubada de preconceitos, problema que ainda 
aflige os homossexuais. 

Para ampliar a participação no setor turístico, Osvaldo Braga defende a 
concessão de benefícios fiscais para eventos GLS. Proposta nesse 
sentido já foi feita à Prefeitura de Juiz de Fora, que está desenvolvendo o 
Plano Municipal de Turismo. "Não definimos valores, mas defendemos que 
eventos turísticos sejam tratados também como empreendimentos", diz 
Osvaldo Braga, que lembra que há demanda para boates e bares destinados ao 
público homossexual. Braga vai mais longe. Defende inclusive a criação 
de uma rua, como já existe em Nova Iorque e Londres, com 
empreendimentos destinados exclusivamente a este público. 

Em agosto, o Raiwbon Fest, juntamente com o Miss Brasil Gay, fez girar 
na cidade cerca de R$ 1,6 milhão em quatro dias. A chegada de 4.464 
turistas à Juiz de Fora, atraídos pelos eventos, superou a capacidade 
hoteleira de Juiz de Fora, que tem 3.476 leitos. Os números comprovam que a 
cidade não apenas gosta dos eventos, mas lucra com eles. Um fator 
também apontado como favorável a esse tipo de festa: não há registros de 
tumultos. "Ao contrário de outras grandes produções", compara Osvaldo 
Braga, ao mostrar que esse público quer mesmo é se divertir.