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Anulação Reportagem: Renata Galdino

Ser livre dentro do relacionamento é necessário e saudável

"As coisas que amo, deixo livres. Se voltarem, é porque as conquistei. Se não voltarem é porque nunca as tive". Essa frase, do escritor Saint Exupéry, serve como base para todo o início de relacionamento. Não somente para uma, mas para as duas partes. No entanto, existem pessoas que, ao iniciarem um namoro, se afastam dos amigos, da família, da religião, para vivenciar uma história que não se sabe como será o final. De acordo com a psicóloga Terezinha Lapa Tude de Souza, há dois indicadores para que isso aconteça.

A especialista diz que o primeiro fator é que a pessoa não estava acomodada e, portanto, as parcerias - amigos, religião, lazer, trabalho - eram coisas que, de fato, não eram realmente a sua opção. Vendo-se livre delas e podendo colocar sua liberdade como algo criado pelo outro, a pessoa poderá usar esse fator como uma forma de chantagem emocional. "O caminho escolhido não é bom para o casal e acabará não realizando nenhum dos dois dentro da relação", afirma Terezinha Lapa. Ela ressalta que sempre isso será um fato lembrado como algo que o outro fez acontecer, não no que diz respeito à liberdade, mas a abertura do direito de suas próprias ações pessoais.

O outro fator é a anulação de um dos envolvidos para que exista um relacionamento. "Todo ele será baseado numa falsa premissa, pois o natural é que, tendo gostos comuns e amigos comuns, tenham também amigos diferenciados e, até mesmo, amizades que não agradam o outro parceiro", argumenta a psicóloga. Ela explica que isso acontece porque cada um teve uma vida e experiências anteriores e chegam a qualquer relacionamento com expectativas: querem conquistar e serem conquistados. "Buscamos sempre uma parte que nos complete e a complementação nunca poderá ser uma anulação. A perda ou o desfazer de laços é algo que deixa marcas e cobranças dos dois lados", revela.

Não há uma nova vida se for necessária a submissão de um a outro, assim como se esta presumível submissão vier a incomodar um dos lados e resultar no desgaste da relação. Geralmente, os relacionamentos feitos nessa base - em que um abre a mão e se incorpora do outro lado - acabam em dissolução. "A relação se desgasta porque não houve limite, respeito e, muito menos, sinceridade, verdade e troca", salienta a psicóloga.

E o fim, mesmo que um ou ambas as partes o desejem, deixará sempre marcas e algum tipo de medo e receio que poderão afetar um relacionamento futuro. Terezinha recomenda a procura de um terapeuta antes da dissolução de uma relação desse tipo. "O trabalho do psicólogo é conversar, verificando se existe ainda alguma forma de permanecerem juntos numa terapia de casal. Se não for possível, o especialista acompanhará os dois lados no período de readaptação", orienta.

É muito importante, segundo ela, que uma nova ligação não seja feita logo após o término, pois é um período para os envolvidos adquirirem conhecimentos, refazerem os antigos laços de amizade - que se constitui uma tarefa complicada -, sair e reaprender coisas que habitualmente faziam. "É uma forma de terapia que ajudará a reintegrar o ex-casal na sociedade", observa a especialista.