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Ser livre dentro do relacionamento é necessário
e saudável A especialista diz que o primeiro fator é que a pessoa não estava acomodada e, portanto, as parcerias - amigos, religião, lazer, trabalho - eram coisas que, de fato, não eram realmente a sua opção. Vendo-se livre delas e podendo colocar sua liberdade como algo criado pelo outro, a pessoa poderá usar esse fator como uma forma de chantagem emocional. "O caminho escolhido não é bom para o casal e acabará não realizando nenhum dos dois dentro da relação", afirma Terezinha Lapa. Ela ressalta que sempre isso será um fato lembrado como algo que o outro fez acontecer, não no que diz respeito à liberdade, mas a abertura do direito de suas próprias ações pessoais. O outro fator é a anulação de um dos envolvidos para que exista um relacionamento. "Todo ele será baseado numa falsa premissa, pois o natural é que, tendo gostos comuns e amigos comuns, tenham também amigos diferenciados e, até mesmo, amizades que não agradam o outro parceiro", argumenta a psicóloga. Ela explica que isso acontece porque cada um teve uma vida e experiências anteriores e chegam a qualquer relacionamento com expectativas: querem conquistar e serem conquistados. "Buscamos sempre uma parte que nos complete e a complementação nunca poderá ser uma anulação. A perda ou o desfazer de laços é algo que deixa marcas e cobranças dos dois lados", revela. Não há uma nova vida se for necessária a submissão de um a outro, assim como se esta presumível submissão vier a incomodar um dos lados e resultar no desgaste da relação. Geralmente, os relacionamentos feitos nessa base - em que um abre a mão e se incorpora do outro lado - acabam em dissolução. "A relação se desgasta porque não houve limite, respeito e, muito menos, sinceridade, verdade e troca", salienta a psicóloga. E o fim, mesmo que um ou ambas as partes o desejem, deixará sempre marcas e algum tipo de medo e receio que poderão afetar um relacionamento futuro. Terezinha recomenda a procura de um terapeuta antes da dissolução de uma relação desse tipo. "O trabalho do psicólogo é conversar, verificando se existe ainda alguma forma de permanecerem juntos numa terapia de casal. Se não for possível, o especialista acompanhará os dois lados no período de readaptação", orienta. É muito importante, segundo ela, que uma nova ligação não seja feita logo após o término, pois é um período para os envolvidos adquirirem conhecimentos, refazerem os antigos laços de amizade - que se constitui uma tarefa complicada -, sair e reaprender coisas que habitualmente faziam. "É uma forma de terapia que ajudará a reintegrar o ex-casal na sociedade", observa a especialista. |