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As possibilidades de tentar terminar com sua vida são treze vezes maiores
para os homossexuais e bissexuais que para o restante da população de sua
mesma idade e condição social, indicam os dados preliminares divulgados pelo
jornal Libération.
O relatório revela além disso que um de cada três indivíduos que comete uma
tentativa de suicídio é homossexual ou bissexual.
Além disso, os gays e bissexuais com antecedentes de tentativas de suicídio
mal se protegem nas relações sexuais com parceiros desconhecidos.
A tendência ao suicídio neste setor da população não está vinculada a
fatores geográficos, sócio-profissionais ou ao fato de viverem sós ou em família,
mas a fatores psicosociaies, como "a homofobia que provoca uma péssima
estima pessoal", segundo Marc Shelly, médico de saúde pública do
Hospital Fernad-Vidal de Paris e um dos autores.
Nos casos de suicídio, segunda causa de mortalidade na França depois dos
acidentes de trânsito entre os 15 e os 34 anos, é necessário que psiquiatras
atualizem seus procedimentos.
Efetuado sobre 933 homens de 16 a 39 anos, o relatório foi elaborado por
pesquisadores independentes franceses sob a supervisão do Instituto Nacional da
Saúde e da Investigação Médica (INSERM).
Os poderes públicos devem "acabar com sua apatia ante a amplitude do suicídio
de lésbicas, gays, bissexuais e transexuais", assegura no jornal o
porta-voz de federação francesa de centros de gays e lésbicas (CGL), David
Auerbach, para quem "o relatório confirma o que vivemos a cada dia".
"Se extrapolarmos os resultados, podemos considerar que a metade dos jovens
suicidas são homossexuais ou questionam sua orientação sexual",
acrescenta, ao destacar que "o suicídio não está vinculado à
homossexualidade, mas à homofobia e é preciso fazer campanhas de prevenção".